Goldman Sachs

Coloca ex-funcionários nos lugares de topo que decidem o rumo da economia global, o que leva muitos a dizerem que domina o mundo.

Eis aqui um artigo publicado no www.economico.sapo.pt hoje, que não quero deixar desaparecer da internet e, por isso o transcrevo parcialmente e comento à luz do meu parco saber de “desentendido” da política e economia dos dias de hoje.

Vale o que vale, apenas deixo à consideração de quem por acaso aqui venha ler… pelos textos em azul respondo eu, os restantes, transcrevi do referido site por isso, não me cabe justificá-los :-)

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“Sou um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”. É a forma como o presidente do maior banco de investimento do mundo vê a sua missão no comando do Goldman Sachs. Mas na opinião de um número cada vez maior de pessoas, o “trabalho de Deus” do Goldman Sachs é a encarnação do lado negro da força em Wall Street. E há até quem defenda que é este banco que manda no mundo e não os governos.

“Eu concordo com a tese de que os bancos, e especialmente o Goldman Sachs, se tornaram demasiado poderosos na medida em que influenciam a nossa política, a nossa economia e a nossa cultura”, referiu o autor de “Money & Power: How Goldman Sachs Came to Rule the World”, William D. Cohan, ao Outlook. E o poder do Goldman Sachs nos centros de decisão política até lhe valeu a alcunha, dada por banqueiros concorrentes , de Government Sachs. O banco liderado por Lloyd Blankfein conta com um exército de antigos funcionários em alguns dos cargos políticos e económicos mais sensíveis no mundo. E o inverso também acontece, o recrutamento de colaboradores que já desempenharam cargos de decisão. — obviamente que, aqui a Goldman & Sachs já começou a aprender connosco, não basta colocar “amigos” nos poleiros, temos depois de os “aninhar” quando, após servir os  nossos interesses, ficam desolados e acossados pelo receio do desemprego, prática comum em Portugal e que ajudou a criar tanta riqueza com auto-estradas praticamente vazias, estâncias turísticas praticamente à sombra (caso da Madeira) ou pomposas e dispendiosas instalações para fundações e institutos de utilidade senão duvidosa, sem falar das necessárias parcerias público-privadas, autênticos sorvedores de dinheiros públicos que, camufladas de interesse público, ainda deixarão para os nossos netos facturas impagáveis sabe-se lá a que preço.

“Não há dúvida que Wall Street tem uma força cada vez mais poderosa no governo americano (já veremos a seguir se por aqui ficamos). Não são apenas os milhões que vão para os bolsos de políticos atrás de políticos para ajudá-los a ganhar as eleições, mas os banqueiros de Wall Street são frequentemente escolhidos para posições de poder na Casa Branca, no Tesouro, na SEC [regulador dos mercados financeiros] e noutros reguladores”, observa William D. Cohan, que passou 16 anos a trabalhar na banca de investimento antes de se dedicar ao jornalismo de investigação.

O banco reconhece no seu site que os antigos colaboradores contribuíram para a rica história e tradição da empresa e “orgulhamo-nos de muitos continuarem activamente ligados (portanto, aqueles que abominam e denunciam em Portugal o conluio, a promiscuidade e as negociatas entre dirigentes, administradores e políticos ligados aos sectores que administram e financiam directa ou indirectamente as parcerias público-privadas deveriam então orgulhar-se da forma como o fazemos. Um exemplo para o Mundo!) . Isto não ajuda apenas a validar a nossa cultura mas também a fornecer um valor real e tangível que transcende uma geração”. E não é só nos EUA que ex-Goldmans dão o salto para altos cargos políticos e económicos (Ah, eu bem dizia…) . Um dos exemplos é o futuro presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que desempenhou o cargo de director-geral do Goldman International entre 2002 e 2005, levando-o mesmo a ser questionado no Parlamento Europeu sobre as ligações do banco de investimento à Grécia — Percebem também aqui e agora porque é que é tão importante não deixar esquecer este artigo? A Grécia, pois então, aquele país ligado a uma verdadeira “máquina de vida artificial” à espera que se encontre uma cura ou que alguém tenha coragem de “desligar a máquina”. Vamos ver que futuro os espera…

Há dias fiz uma analogia acerca deste assunto com aquelas famílias que mandam o médico suportar a vida do moribundo ligado à máquina para poderem continuar a auferir da choruda reforma ou de benefícios que  sabem vir a perder quando abrirem o testamento e souberem a sua última vontade…

A analogia fi-la obviamente entre os interesses da banca internacional e, cada vez mais óbvio, porque incapaz de ser escondido por muito mais tempo, a banca alemã, têm em manter os PIGS nas “lonas” mas a viverem de dinheiro emprestado… se o país “morresse” hoje, pouco nos restaria e jamais poderíamos pagar as nossas dívidas mas, enquanto nos mantiverem “ligados à máquina”, é-nos sugado o sangue e a pouca dignidade que nos resta até ajoelharmos e pedirmos por favor a vassalagem ao eixo franco-alemão… Sim, é isso mesmo, tempos negros nos esperam, numa autêntica idade-média de poderio não militar, mas económico. E não foi sempre disso que se tratou? Poderio militar para expandir impérios, dominar, ganhar?

Alguém disse que a cantiga é uma arma, eu diria que nos tempos de hoje O DINHEIRO É UMA ARMA!

Vamos olhar para a GUERRA ECONÓMICA DO SÉC. XXI?

A quem interessam as crises e quais os seus resultados práticos?

Duas crises de proporções épicas, duas epopeias de escândalos

O mundo enfrentou duas das maiores crises das últimas décadas em quatro anos. E, tanto na crise financeira de 2008 como na tragédia grega, o Goldman Sachs foi alvo de acusações de actuações menos correctas.

Começando por Atenas, o Goldman Sachs ajudou, a partir de 2002, a Grécia a encobrir os reais números do défice (ajudar é um verbo com uma carga significativa de boas intenções, sem dúvida), através de ‘swaps’ cambiais com taxas de câmbio fictícias, o que na prática permitiu a Atenas aumentar a sua dívida sem reportar esses valores a Bruxelas (espertos heim?). Segundo o “Der Spiegel”, o banco cobrou uma elevada comissão para fazer esta engenharia financeira (não tanto assim, pois os governos portugueses já eram peritos naquilo que alguns ministros e secretários de estado se orgulham de chamar de “engenharia-financeira”) e, em 2005, vendeu os ‘swaps’ a um banco grego, protegendo-se assim de um eventual incumprimento por parte de Atenas (ah, pronto afinal já fomos enganados…).

No início de 2010, os analistas do Goldman recomendaram aos seus clientes a apostar em ‘credit-default swaps’ sobre dívida de bancos gregos, portugueses e espanhóis. Os CDS são instrumentos que permitem ganhar dinheiro com o agravamento das condições financeiras de determinado país. “É um escândalo se os mesmos bancos que nos trouxeram para a beira do abismo ajudaram a falsear as estatísticas”, referiu a chanceler alemã Angela Merkel (coitadinha passou-lhe tudo ao lado e ela, tão esperta, uma mulher de luta, criada na dureza do antigo regime da Alemanha de Leste, qual cinderela ou personagem de conto de fadas, nem se apercebeu que tudo não passava de engenharia financeira).

As autoridades europeias e a SEC abriram investigações ao logro das contas gregas, mas isso não impediu que Petros Christodoulou, um antigo empregado na divisão de derivados do Goldman, assumisse em Fevereiro de 2010 o cargo de director da entidade que gere a dívida pública grega (ora lá está, que conveniente… até aqui nada de novo para Portugal pois os nossos políticos nunca necessitaram dos serviços da Goldman para ocultar falcatruas e buracos financeiros, qualquer zé-ninguém aqui percebe de engenharia-financeira é um processo muito simples: tira-se daqui e diz-se que se coloca ali, e depois retira-se nada para nada lá ficar e de nada prestar contas… trata-se apenas de um buraco financeiro para mais tarde ser descoberto impunemente pois os milhões já tinham ido inicialmente para uma conta privada num qualquer paraíso fiscal ou nem isso, o BPN tratava de tudo e entregava-o mais tarde ao “cliente”). Além disso, o Goldman tem ajudado o Fundo Europeu de Estabilização Financeira a colocar dívida para financiar Portugal, Irlanda ao abrigo do programa de assistência financeira. O FEEF justifica a escolha com o alcance global do banco (claro, perfeitamente compreensível na óptica destes iluminados, mas autênticos alucinados com a liberalização económica e dominados pelo fervor do poderio económico-financeiro). Além do Goldman, também o BNP Paribas e o Royal Bank of Scotland costumam ser escolhidos para liderar estas operações.

O escândalo grego levou alguns deputados europeus a questionarem o futuro presidente do BCE sobre a sua independência para assumir o cargo. Queriam saber se teve conhecimento das operações feitas com a Grécia e se o cargo no Goldman não poderia afectar a percepção sobre a sua integridade para substituir Trichet. Draghi negou as ligações aos negócios com Atenas e defendeu o seu registo em alertar para os riscos que o sector financeiro estava a tomar.

Uma das respostas aos que acusam o Goldman de dominar o mundo financeiro é que, afinal, o banco também sofre com a crise. Os analistas de mercado esperam que o banco tenha registado o segundo prejuízo trimestral da sua história entre Julho e Setembro. Isto depois de ter lucrado mais de mil milhões de dólares no segundo trimestre. Em 2010 e 2009, conseguiu receitas de 39,2 mil milhões de dólares e de 45,2 mil milhões de dólares, respectivamente. Mais de 35% destes valores foram utilizados para pagar bónus aos seus empregados. O salário e bónus do presidente do banco, Lloyd Blankfein, situou-se em 13,2 milhões de dólares no ano passado (aqui em Portugal também já adoptámos a máxima de que devemos salvar os ricos em geral, grandes empresários e banca à frente dos necessitados senão vão-se embora e não conseguimos salvar o país, num golpe de acção psicológica manipulador que faria corar Salazar, o tal que queria manter o povo iletrado para que não procurasse novos horizontes… burro, era dar-lhes Novas-oportunidades! Muito mais à frente… dar “canudinho” para criar carneirinhos…) .

(…)

Do Goldman para o poder

O Goldman Sachs é uma escola que permite a muitos economistas e gestores atingir cargos de poder um pouco por todo o mundo (vamos então conhecer alguns desses alunos desta Escola de Bons Feiticeiros?).

  Hank Paulson, antigo secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Saiu da liderança do Goldman Sachs para ser secretário de Estado do Tesouro durante a administração Bush. Paulson delineou o programa de ajuda à banca durante a crise financeira de 2008, que também resgatou o Goldman.
  Mario Draghi, futuro presidente do BCE
O futuro presidente do BCE, Mario Draghi, foi director-geral da Goldman Sachs International entre 2002 e 2005. A ligação levou-o a enfrentar perguntas dos eurodeputados sobre se esteve envolvido na ocultação do défice grego.
  Mark Carney, governador do Banco Central do Canadá
O actual governador do banco central do Canadá passou 30 anos no Goldman.Foi responsável pelas áreas relacionadas com risco soberana e foi o homem com a tarefa de delinear a estratégia do banco durante a crise russa de 1998.
  Romano Prodi, antigo presidente da comissão europeia
O antigo presidente da Comissão e ex-primeiro-ministro italiano esteve no Goldman nos anos 90. A ligação valeu-lhe críticas da Oposição quando rebentou um escândalo a envolver o Goldman e uma empresa italiana.
  Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial
O actual presidente do Banco Mundial foi director-geral do Goldman.Antes de se juntar ao banco tinha trabalhado no Departamento do Tesouro norte-americano. Lidera o Banco Mundial desde Julho de 2007.
  Robert Rubin, antigo Secretário de Estado do Tesouro dos EUA
Robert Rubin teve cargos de topo na administração do Goldman. Após 26 anos no banco foi escolhido por Bill Clinton como secretário de Estado do Tesouro. Após passar pelo Governo, trabalhou no Citigroup.
  Ducan Niederauer, presidente da NYSE Euronext
O presidente da NYSE Euronext, Duncan Niederauer, que detém as bolsas de Nova Iorque e de Paris, Bruxelas, Amesterdão e Lisboa, foi responsável do Goldman pela área da execução de ordens dadas sobre títulos financeiros.
  Mark Patterson, Chefe de Staff do Tesouro dos EUA
Mark Patterson é o chefe de gabinete do actual secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Antes de se juntar ao governo estava registado como lóbista, intercedendo para defender os interesses do Goldman.
  António Borges, director do Departamento Europeu do FMI
O economista foi vice-presidente e director-geral do Goldman entre 2000 e 2008. Após sair do banco foi da associação que delineia a regulação dos ‘hedge funds’. Em Outubro de 2010, foi nomeado director do FMI para a Europa.
  Carlos Moedas, Secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro
Após acabar o MBA em Harvard, no ano 2000, o actual responsável pelo acompanhamento do programa da ‘troika’ foi trabalhar para a divisão europeia de fusões e aquisições do Goldman Sachs. Saiu do banco em 2004.
  António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank
O primeiro emprego de Horta Osório após terminar o MBA no Insead foi no Goldman, centrando-se na área de ‘corporate finance’. Actualmente é presidente do banco britânico Lloyds depois de ter estado no Santander.
  William C. Dudley, presidente da Fed de Nova Iorque
O actual presidente da Fed de Nova Iorque é a segunda figura mais importante na condução da política monetária dos EUA. Foi durante mais de uma década economista-chefe do Goldman e director-geral.

 Sem comentários…

Os negócios do Goldman Sachs com Portugal

O Goldman Sachs é uma das entidades que trabalha com o Tesouro nacional para colocar dívida portuguesa no mercado.

O Goldman Sachs é uma entidade global e das mais influentes junto dos mercados. Como consequência, as instituições portuguesas que necessitem de fazer operações financeiras optam frequentemente pela contratação do banco. A começar pelo próprio Estado. O banco liderado por Lloyd Blankfein é Operador Especializado em Valores do Tesouro. O mesmo é dizer que é uma das entidades contratadas pelo Estado para colocar dívida nacional no mercado e para aconselhar sobre as estratégias de financiamento que Portugal deve tomar para convencer os investidores a comprarem dívida da República. Apesar disso, e à semelhança de muitos bancos internacionais, desde Setembro de 2010 que o Goldman dizia aos seus clientes que Portugal não iria conseguir financiar-se nos mercados e que teria de recorrer a ajuda externa (bonito serviço… traduzido em miúdos, para um português iletrado perceber, entregamos o ouro ao bandido?).

 A ligação ao Goldman e a outras grandes firmas de Wall Street levou alguns órgãos de comunicação anglo-saxónicos a sugerir que Portugal e estes bancos terão feito negócios similares aos embustes orçamentais na Grécia (ai que nos descobrem a careca). Estas afirmações foram refutadas pelas autoridades europeias. Mas não é apenas com o Estado que o Goldman tem relações. Num dos períodos mais quentes da história da bolsa portuguesa, o banco de investimento teve um papel fulcral. Nas ofertas públicas de aquisição que a Sonaecom lançou à Portugal Telecom e que o BCP lançou ao BPI, ambas em 2006, o Goldman foi contratado pelos alvos das ofertas para ajudar a montar as estratégias de defesa às ofertas hostis. Recentemente, foi ainda noticiado que o Goldman Sachs mostrou interesse em analisar os dossiers das privatizações da EDP e da REN que o Governo está a preparar no âmbito do programa de assistência financeira a Portugal. Outro negócio a envolver o Goldman e uma empresa portuguesa foi a compra, por parte da EDPRenováveis, de uma eólica norte-americana. Acotada nacional comprou a Horizon Wind Energy por 1,6 mil milhões de euros ao Goldman Sachs (ao Goldman Sachs! Seria caso para dizer: nada mais tenho a dizer, senhores jurados…).

 

Analistas do Goldman acompanham acções nacionais

E como não podiam faltar os “Grandes Portugueses” — Outra das actividades do Goldman Sachs no mercado nacional é o acompanhamento de acções portuguesas. Os analistas do banco de investimento seguem actualmente 13 cotadas portuguesas. E as recomendações nem são negativas. O Goldman recomenda “comprar” Galp, EDP e Jerónimo Martins. Apenas a Semapa é vista pelos analistas do Goldman como um título a “vender”. Os restantes, incluindo os títulos do sector financeiro, têm uma apreciação de “neutral”. Além de acompanhar o mercado português, o Goldman teve colaboradores portugueses que estão agora sob os holofotes. É o caso de António Horta Osório (ora lá está…), que trabalhou no banco antes de assumir cargos de relevo no Santander e no Lloyds. O actual presidente do banco britânico trabalhou na área de ‘corporate finance’ do Goldman. Também o actual secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas (sim, esse mesmo), teve uma passagem pelo gigante das finanças. O governante, que tem a cargo o acompanhamento da aplicação do memorando com a ‘troika’, trabalhou no departamento europeu de fusões e aquisições do Goldman (portanto nem a troika se safa, como podem ver, vamos ver o que estes senhores nos reservam, sob a batuta dos senhores do capital). Outro português que se notabilizou no banco foi António Borges, director-geral e vice-presidente do banco entre 2000 e 2008. O economista foi depois presidente da entidade que delineia a regulação dos ‘hedge funds’ e actualmente dirige a divisão europeia do Fundo Monetário Internacional.

É caso para dizer: Eles estão (mesmo) em TODO O LADO!

Artigo publicado no suplemento Outlook de 14 de Outubro

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