Já tive momentos em que detestei o nosso Jornalismo e os nossos jornalistas de uma forma geral, já tive outros momentos em que senti realmente que necessitavamos desse tal “quarto poder” pois só assim poderia talvez ter voz a chamada maioria silenciosa…

Já detestei a Júlia Pinheiro pela sua tapadice não antevendo a irresponsabilidade das suas atitudes quando ela achou que tinha descoberto a pólvora ao vangloriar bandidos e tentar enchovalhar as nossas autoridades em directo, incentivando ainda que indirectamente ao mais que provável incitamento para o atear de autênticos  barris de pólvora em bairros sociais e outros que tais que, à aproximação das viaturas da SIC ganhavam força e se atiravam literalmente para os confrontos directos com a Polícia…

Valeu-nos e penso que a ela própria a retratação pois vimo-la com o tempo a “baixar as orelhas” pois deve ter começado a compreender ou alguém lhe mostrou o erro que estava a cometer.

Já adorei jornalistas que, corajosamente enfrentaram em directo políticos oportunistas e corruptos que, nada mais tendo a argumentar, se levantaram das suas cadeiras pois não estavam preparados para o confronto para além das perguntas/respostas que constavam nas cábulas que enviaram para os directores de redação.

Já fiquei abismado como é que esta classe tão poderosa se rebaixou ao longos dos últimos anos de tal forma, ao poder político e suas pressões, que já ninguém se preocupa actualmente em esconder que são uns autênticos paus-mandados e servicais dos seus entrevistandos e dos interesses político-económicos instalados.

Quero aqui manifestar que é efectivamente, quanto a mim, um erro crasso deste governo deixar de apostar nas energias alternativas, que penso ser a única medida positiva do (des)governo de Sócrates mas, sob pena de estar errado, a análise que faço relativamente ao negócio que levou à rescisão do contrato com a RPP Painéis Solares por falta de cumprimento, é que, se até ao momento a empresa em questão não se encontra em posição de apresentar resultados e exige mais 90 milhões de euros para SÓ no início de 2013 começar a produzir? Tivemos uma atitude de coragem por parte do poder político e os media vão a correr para dando uma ênfase tal à notícia que parecia que estavamos a cometer uma atrocidade? Então receberam incentivos de milhões de euros por parte do Estado, para não falar do terreno que a Câmara comprou caríssimo para lhes colocar nas mãos sob o pretexto de que iriam criar 2000 empregos? E da forma como a notícia foi avançada parecia que o Estado Português é que era o caloteiro…

Salientou-se a fuga às questões do jornalista, a argumentação vã do responsável que se enterrou a ele próprio nas justificações e afirmando que não precisava do dinheiro para avançar… então vamos dar espaço televisivo a mais um oportunista? Felizmente talvez pelo “enterranço” das suas alegações nos livrámos da contnuição de mais episódios novelescos…

Só me faltaria aqui mencionar para a estupefacção pela servidão dos media a uma cambada de lambe-botas do poder político (uns mais à esquerda outros mais à direita) que são os nossos comentadores televisivos e opinion-makers que, como governates foram autênticas bostas e agora vendem comentários, sim, vendem e bem caros, para autenticamente manipular a opinião pública virando os ignorantes da tal maioria silenciosa uns contra os outros, como se a culpa fosse realmente dos desgraçados dos trabalhadores que, enganados por tudo quanto é lobby, se acossam apontado o dedo uns aos outros no seu dia-a-dia: e atiram a eles próprios: «a culpa é nossa!» Assumindouma  mea culpa vergonhosamente manipulada.

E nada mais teria a dizer se, para além desta vergonhosa atitude servil relativamente ao poder político-económico não fossemos então diariamente bombardeados com um jornalismo da “tanga” (e não estou a falar da imprensa cor-de-rosa que nem merece aqui menção) que, à falta de honra, nobreza de carácter na procura da verdadeira e importante notícia do que corroi esta sociedade, procura então na desgraça alheia a notícia estrondosa que lhe poderá darprestígio para quiçá, a seguir passar para a ribalta dos jornais nacionais e lamber directamente as botas aos manipuladores natos.

E entristece-me verdadeiramente que talvez pseudo-jornalistas, com ou sem canudo, num cenário dantesco de algum incêndio ou calamidade pergunte ao agricultor ou ao desgraçado do casal idoso que acabou de ficar sem nada, «…então e está triste?» dava vontade de alguém lhe responder bem à moda do norte, «ó meu fdp, então achas que devia estar feliz?»

Ontem fiquei feliz, não por ver o desânimo nas caras de alguns jornalistas que, sedentos de uma notícia grave no meio de um furacão destruidor de lares e vidas, se deslocaram aos Açores em vão, mas porque felizmente mais uma vez a Mãe-Natureza acalmou antes de chegar às ilhas e lembrei-me de ter visto na noite de sábado imagens de entrevistados que à pergunta alarmada do jornalista se nãi iam tomar providências, alguns ilhéus responderam muito simplesmente: «vamos fechar as janelas… mas mais nada.» :-)

Bolas que desinteresse… os ilhéus não temiam a desgraça que a proteção civil profetizava (pois também estes disso vivem majestosamente), nem haveria suicídio colectivo de antevisão do fim-do-mundo…

Obrigado Mãe-Natureza. Só isso.

Para hoje, temos do melhor: Uma excelente notícia para quem não sabe, como utilizar e onde comprar bloqueadores de redes móveis de transmissão para poder fazer assaltos sem a chatice dos alarmes a avisarem as centrais públicas de alarmes! Sim senhor… O Jornalismo no seu melhor… parabéns aos SOL :

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=57206

Então e para amanhã, qual será a notícia?

 O Luisão? Já não vai ser castigado? É pá, que chatice… nem ao menos levar umas chicoteadelas para mostrar em praça pública que, pelo menos a justiça desportiva em Portugal funciona? Que desprestígio para Portugal se não lhe for aplicado um castigozinho que seja…

E como iremos distrair o Povo nos próximos dias, pois assim só restarão notícias desinteressantes de manipulação, corrupção e desbaste dos dinheiros públicos?

… No fucking words…